Camila Ferezin revive Milão e traça próximos desafios das leoas brasileiras

Foto: CBG

A Copa do Mundo de Milão de Ginástica Rítmica ocupa um lugar estratégico no planejamento da seleção brasileira. Além de reunir algumas das principais potências da modalidade, a competição permite avaliar o trabalho desenvolvido e identificar os últimos detalhes que precisam ser aperfeiçoados antes do maior compromisso da temporada.

Após muito preparo, o evento chegou e as nossas leoas deram tudo de si e trouxeram o bicampeonato para casa. Com 56.050, o Brasil conquistou o ouro no conjunto geral, superando China e Espanha, que terminaram empatadas com 55.850 pontos. A China ficou com a medalha de prata, enquanto a Espanha conquistou o bronze. O resultado confirmou o bicampeonato brasileiro em Milão e fortaleceu a equipe na reta final de preparação para ganhar o mundo novamente, em breve.

Entretanto, a medalha é somente o topo do iceberg em relação ao trabalho que o conjunto brasileiro e a CBG têm construído para a ginástica rítmica do pais. Competir diante das principais seleções do mundo exige mais do que uma preparação física e técnica de alto nível. Para Camila Ferezin, treinadora do grupo, um dos maiores desafios é fazer com que as ginastas estejam emocionalmente prontas para enfrentar a pressão e expressar todo o seu potencial.

Enfim, agora que Milão já é passado, o desafio que cresce no cenário internacional para o grupo de Ferezin, é mesmo o Mundial de Frankfurt, na Alemanha, que acontecerá entre os dias 12 e 16 de agosto. Em entrevista exclusiva concedida à jornalista Silvana Conte, a técnica destaca a união da equipe, a evolução das ginastas, a relação especial da Seleção Brasileira com a Itália e a expectativa das meninas à beira da maior competição do ano.

1) ⁠Camila, como foi a experiência da Seleção Brasileira aqui em Milão para esta etapa da Copa do Mundo?
Muito positiva. Milão sempre nos recebe muito bem e competir aqui tem um significado especial para a nosso time, porque vivemos momentos marcantes da nossa carreira.

2) Como foi a preparação da equipe para esta competição e quais foram os principais pontos trabalhados antes de chegar à Itália?
Fizemos uma preparação muito consistente desde o Campeonato Pan-Americano. Nas últimas semanas, priorizamos principalmente a execução das séries, buscando mais estabilidade, precisão e confiança em cada dia de treino.

3) O que esta Copa do Mundo representa para o Brasil dentro do planejamento da temporada?
Ela é uma etapa muito importante do nosso planejamento. Estamos cada vez mais próximos do Campeonato Mundial e esta competição nos permite avaliar o trabalho realizado, testar a equipe em um ambiente de altíssimo nível e identificar os últimos ajustes necessários para chegarmos ainda mais preparados ao principal objetivo da temporada.

4) Quais são os principais objetivos da equipe brasileira nesta etapa, além dos resultados e das notas?
Mais do que buscar boas notas, queremos apresentar séries consistentes, com segurança e qualidade de execução. Também buscamos fortalecer a confiança da equipe, adquirir experiência competitiva e consolidar tudo o que foi desenvolvido durante os treinamentos.

5) Como você avalia o momento atual das ginastas brasileiras e a evolução apresentada durante os últimos meses?
Vejo um grupo em constante evolução. As atletas têm demonstrado um crescimento técnico muito importante, além de mais maturidade e confiança dentro da quadra. Esse processo é resultado de muito trabalho diário, dedicação e comprometimento de toda a equipe.

6) O que você espera que as atletas levem desta experiência, tanto técnica quanto emocionalmente?
Espero que elas saiam daqui mais confiantes, conscientes do potencial que possuem e ainda mais preparadas para os próximos desafios. Cada competição internacional proporciona aprendizados valiosos, tanto na parte técnica quanto na capacidade de lidar com pressão, manter o foco e competir em alto nível.

7) Como técnica da Seleção Brasileira, qual é o maior desafio de preparar uma equipe para competir diante das principais potências mundiais?
O maior desafio é buscar a excelência todos os dias. As grandes potências possuem um nível técnico muito elevado, então precisamos evoluir constantemente, aperfeiçoando cada detalhe sem perder a nossa identidade. O importante é fazer com que as atletas cheguem preparadas físicamente, técnicamente e emocionalmente para expressarem o melhor desempenho possível.

8) A Seleção Brasileira já tem uma longa história competindo na Itália. Depois de tantos anos voltando para cá, com medalhas importantes conquistadas aqui, a Itália já ganhou um significado especial para vocês?
Sem dúvida. A Itália faz parte da nossa história. Foi aqui que conquistamos algumas medalhas e vivemos momentos marcantes da nossa trajetória. Sempre que voltamos, essas lembranças despertam sentimentos muito positivos, mas também nos lembram que cada competição é uma nova história. Chegamos com respeito por tudo o que já vivemos aqui, mas principalmente motivados para construir novos resultados e continuar escrevendo a história da ginástica rítmica brasileira.

9) Mas o que o que significa esse bi, um mês antes do mundial ?
Significa que quando trabalhamos duro e unidos no mesmo propósito, o resultado vem. E é assim que vamos nos manter até conseguirmos atingir nossos objetivos. Somos bicampeãs e este resultado a véspera do mundial, nos fortalece e nos motiva ainda mais.

10) Que mensagem você gostaria de deixar para quem está acompanhando e torcendo pelo Brasil?
Gostaria de agradecer todo o carinho e apoio que recebemos. Saber que tantas pessoas acompanham e torcem pela nosso time, nos fortalece muito. Podem ter certeza de que vamos entrar em quadra para representar o Brasil com muita dedicação, orgulho e entrega.

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