Flamengo e Minas dominam primeiro dia do Campeonato Brasileiro de Ginástica

Foto: MeloGym/CBG

Clube mineiro vence por equipes no masculino, enquanto rubro-negro lidera feminino; Flávia Saraiva conquista primeiro título brasileiro no individual geral e Lorrane Oliveira volta a competir nos quatro aparelhos após três anos

Minas Tênis Clube e Flamengo terminaram o primeiro dia do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, em Brasília, como os grandes vencedores das disputas por equipes. O clube mineiro levou o título masculino com 236.100 pontos, em uma disputa apertada com o Pinheiros, que somou 235.450. No feminino, o Flamengo confirmou a liderança com 160.200 pontos, à frente do Pinheiros, com 149.850, e do Sesi-SP, com 148.850.

Mas esse evento teve muitos, mas muitos, protagonistas. A começar pelo retorno triunfal de Lorrane Oliveira ao individual geral e ao desempenho histórico de Flávia Saraiva que venceu o primeiro individual da carreira, passando pela bravura de Caio Souza, a reintrodução de atletas experientes como Yuri Guimarães e Arthur Nory.

Minas não deixou espaço para ninguém

No masculino, a vitória do Minas foi construída pela regularidade nos seis aparelhos. A equipe alcançou 40.550 pontos no salto, 39.700 na barra fixa, 39.150 nas barras paralelas, 39.100 no solo, 39.100 nas argolas e 38.500 no cavalo com alças. O Pinheiros teve desempenho superior em três aparelhos, com 39.450 no solo, 38.850 no cavalo com alças e 41.200 na barra fixa, mas não conseguiu manter a vantagem no conjunto da competição. O terceiro lugar por equipes ficou com o Agith-SP, com 229.750 pontos. O Grêmio Náutico União terminou em quarto, com 225.000, seguido pela Sogipa, com 214.550.

A campanha mineira foi liderada por Vitaliy Guimarães, campeão do individual geral com 77.850 pontos. O ginasta apresentou uma rotina equilibrada, com 13.400 no solo, 13.250 no cavalo com alças, 12.150 nas argolas, 13.700 no salto, 12.100 nas barras paralelas e 13.250 na barra fixa. O título foi decidido por uma margem de 0.550 ponto sobre Patrick Corrêa, do Pinheiros, que terminou com 77.300.

Patrick também teve uma atuação consistente e ficou à frente do companheiro de equipe Diogo Paes, terceiro colocado com 76.000. Entre suas principais notas estiveram 13.350 no salto, 12.900 nas barras paralelas e 13.550 na barra fixa. Paes, por sua vez, alcançou 13.400 no salto e 13.650 na barra fixa.

O Minas ainda colocou dois outros atletas entre os seis primeiros do individual geral. Gabriel Barbosa terminou em quinto, com 74.350 pontos, enquanto Gustavo Pereira ficou em sexto, com 74.300. Barbosa teve 13.200 no salto e 12.800 no solo. Pereira alcançou 13.250 no salto e 12.950 nas argolas, mas perdeu pontos nas barras paralelas, onde recebeu 9.900.

Alguns dos melhores resultados individuais do primeiro dia vieram fora do pódio geral. Yuri Guimarães, do Agith-SP, conseguiu a maior nota masculina do salto, com 14.000, e ainda marcou 13.300 no solo e 13.250 na barra fixa. O ginasta terminou o individual geral em 11º, com 73.300.

Arthur Nory também marcou o primeiro dia pelo retorno à disputa de outros aparelhos. O ginasta do Pinheiros voltou a competir no solo, salto, barras paralelas e barra fixa, depois de concentrar sua participação em provas específicas nos últimos anos. Na competição, teve como destaques as notas 13.550 no solo, 13.600 no salto e 14.000 na barra fixa, esta última entre as maiores do dia. Já Caio Souza, do Minas Tênis Clube, não competiu no salto nem no solo. O ginasta apresentou-se nas argolas, com 13.750, e nas barras paralelas e barra fixa, onde recebeu 14.000 e 13.700, respectivamente. A participação parcial permitiu que Caio contribuísse para o título por equipes do Minas, mas o deixou fora da disputa completa do individual geral.

Flamengo domina feminino

No feminino, o Flamengo foi ainda mais dominante. A equipe somou 160.200 pontos e liderou os quatro aparelhos: 41.450 no salto, 40.100 nas barras assimétricas, 39.600 na trave e 39.050 no solo. O Pinheiros terminou em segundo, com 149.850, enquanto o Sesi-SP ficou em terceiro, com 148.850.

A força rubro-negra também apareceu no individual geral. Flávia Saraiva conquistou o título com 53.900 pontos e venceu pela primeira vez a competição brasileira na prova. A ginasta teve uma apresentação equilibrada nos quatro aparelhos, com 13.300 no salto, 13.700 nas barras assimétricas, 13.650 na trave e 13.250 no solo.

Lorrane Oliveira completou a dobradinha do Flamengo e terminou em segundo, com 52.750 pontos. No retorno aos quatro aparelhos após três anos, a ginasta obteve 13.350 no salto, 13.650 nas barras assimétricas, 12.900 na trave e 12.850 no solo. O retorno de Lorrane teve ainda um capítulo histórico. Durante a apresentação de solo, ela executou pela primeira vez em uma competição oficial a combinação entre Flic sem mãos e Duplo Twist Carpado.

A ligação recebeu bonificação de 0.2 ponto e representa uma das sequências de maior dificuldade apresentadas no primeiro dia do Brasileiro. Outro resultado de destaque veio de Rebeca Andrade. A campeã olímpica participou apenas do salto e recebeu 14.800, a maior nota feminina do aparelho em toda a competição e também a maior nota deste aparelho no mundo, em 2026. A apresentação ajudou o Flamengo na conquista por equipes.

Carolyne Pedro, do Cegin-PR, foi a responsável por interromper a dobradinha do Flamengo no pódio do individual geral. A ginasta terminou em terceiro, com 51.000 pontos, após marcar 13.100 no salto, 12.850 nas barras assimétricas, 12.250 na trave e 12.800 no solo. Sophia Weisberg, do Pinheiros, ficou em quarto, com 50.950, enquanto Maria Eduarda Pinto, do Flamengo, terminou em quinto, com 50.050. Gabriela Vieira, também do Flamengo, foi sexta, com 49.350. Thaís Fidélis, do Sesi-SP, também teve notas expressivas, com 13.200 no salto e 13.700 na trave, mas não completou o individual geral. A ginasta não realizou o solo e, por isso, ficou fora da disputa pelo título da prova.

Andreza Lima é baixa antes da competição

O primeiro dia também teve uma notícia negativa. Andreza Lima, do Grêmio Náutico União, está fora do Campeonato Brasileiro após sofrer uma lesão durante o treinamento. Em uma acrobacia no solo, a ginasta forçou a musculatura e bateu o calcanhar no aparelho, provocando uma ruptura de fibras na região. A decisão de retirar a atleta da competição foi tomada em conjunto pela comissão técnica e pela equipe multidisciplinar. A preocupação é evitar o agravamento da lesão e permitir que Andreza inicie imediatamente o tratamento para retornar ao calendário de competições de 2026. Ela foi a segunda atleta a se machucar e que ficou de fora da competição. A primeira foi Ana Luiza Lima.

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