Argentina supera o Brasil por equipes e no individual geral nos Jogos Sul-Americanos

A Argentina levou a melhor sobre o Brasil nas duas primeiras disputas femininas da ginástica artística nos Jogos Sul-Americanos 2026. Na competição por equipes, as hermanas conquistaram o ouro com 208.706 pontos, enquanto o Brasil ficou com a prata, com 206.188, e o Panamá completou o pódio com o bronze, com 198.538. No individual geral, a argentina Julieta Lucas também ficou com o título, ao somar 52.435 pontos, apenas 0.084 à frente da brasileira Gabriela Bouças, prata com 52.351. A argentina Emilia Acosta, com 51.501, ainda levou o bronze. Os Jogos acontecem simultaneamente em Rosário e Santa Fé, na Argentina.

Apesar da prata, o desempenho brasileiro foi positivo e mostrou uma equipe capaz de apresentar ginástica de bom nível. Gabriela Bouças foi o principal destaque individual, sustentando notas equilibradas nos quatro aparelhos e elevando especialmente suas execuções. Sem promover grandes mudanças nas dificuldades ao longo do ano, a ginasta acrescentou o Tsukahara carpado ao solo no lugar do Tsukahara grupado, novidade que representa ganho de 0.1 na dificuldade e já produziu resultado direto em Santa Fé: a brasileira recebeu 13.200 pontos no aparelho. O Brasil também contou com o retorno de Rebeca Procópio, que sofreu uma lesão no início da temporada e ficou afastada das competições internacionais. Júlia Coutinho, por sua vez, segue sendo uma peça importante da equipe, especialmente pelo trabalho no solo, onde apresenta uma construção inteligente de série e, mesmo sem uma execução perfeita, tem capacidade para alcançar notas superiores a 13 pontos.

A consistência de Caroline Pedro merece destaque. A brasileira vem apresentando desempenho regular, com notas muito próximas dos 13 pontos ou acima dessa marca, característica importante para uma competição por equipes, na qual a estabilidade das apresentações pode ser tão determinante quanto os grandes picos de pontuação.

O aparelho que mais evidencia a diferença entre as duas equipes, porém, é justamente o que há algum tempo representa um ponto de atenção para o Brasil: as paralelas assimétricas. Na disputa por equipes, a Argentina somou 50.702 pontos no aparelho, contra 49.818 do Brasil, uma diferença de 0.884. Individualmente, Julieta Lucas recebeu 13.034, enquanto Gabriela Boucas marcou 12.350. A distância não aparece apenas nesta competição. As assimétricas têm sido um dos aparelhos que mais impedem o Brasil de ampliar sua pontuação em relação às principais concorrentes e, para buscar resultados ainda mais expressivos, esse é um setor que precisa receber atenção especial.

Na trave, o cenário foi mais equilibrado. A Argentina terminou a competição por equipes com 52.202 pontos, enquanto o Brasil alcançou 52.335, ficando 0.133 à frente. No individual, entretanto, algumas apresentações argentinas foram prejudicadas por quedas. Isabella Ajalla, por exemplo, recebeu 11.300 no aparelho, enquanto, pelo Brasil, Thaís Fidelis, uma das principais expectativas da equipe, também não conseguiu realizar sua melhor apresentação e terminou com 12.734 após uma queda. O desempenho evidencia que ambos os países ainda têm margem para elevar suas pontuações quando conseguem executar suas séries sem erros.

É importante, contudo, colocar o resultado em perspectiva. O Brasil não competiu com sua formação principal completa, já que algumas de suas principais ginastas estão sendo preservadas para o Mundial e disputaram outra competição no período. A Argentina, por outro lado, levou sua equipe principal aos Jogos Sul-Americanos e conseguiu confirmar sua força diante de uma das principais potências da América do Sul. Ainda que o Brasil tenha potencial para apresentar notas mais altas com sua formação completa, o resultado de Santa Fé serve sobretudo como um alerta sobre a evolução argentina e mostra que o país está cada vez mais competitivo e pode, inclusive, entrar na briga por uma posição entre as 12 melhores seleções no Mundial deste ano.

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