Cinco anos atrás, Rebeca Andrade conquistava a primeira medalha olímpica da ginástica feminina brasileira
Cinco anos depois, as imagens continuam vivas na memória dos brasileiros. Em poucos dias, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Rebeca Andrade transformou a história da ginástica artística nacional ao conquistar a prata no individual geral e, na sequência, o ouro no salto. As medalhas foram as primeiras da ginástica artística feminina do Brasil em Olimpíadas e marcaram o início de uma nova era para a modalidade.
A campanha começou nas classificatórias, disputadas em 25 de julho de 2021. Recuperada de três cirurgias no ligamento cruzado anterior do joelho direito entre 2015 e 2019, Rebeca chegou aos Jogos como uma das candidatas ao pódio, mas ainda atrás da americana Simone Biles nas projeções para o individual geral. A brasileira fez uma apresentação consistente nos quatro aparelhos, com destaque para o Cheng no salto, e garantiu vaga nas finais do individual geral, do salto e do solo. Ao terminar a fase classificatória na segunda colocação, mostrou que tinha condições reais de disputar a medalha olímpica.
O cenário mudou completamente dias depois. Durante a final por equipes, Simone Biles abandonou a competição após o primeiro salto e anunciou sua retirada das demais finais individuais para cuidar da saúde mental, em razão dos chamados “twisties”, uma perda momentânea de orientação espacial que pode comprometer a segurança da atleta. A ausência da maior ginasta da modalidade abriu a disputa pelo título olímpico, colocando nomes como Sunisa Lee, Angelina Melnikova e a própria Rebeca Andrade entre as principais candidatas ao ouro. Mas, francamente? Rebeca foi a maior estrela de Tóquio.
Na decisão do individual geral, disputada em 29 de julho, Rebeca confirmou o favoritismo ao pódio. Começou com um excelente Cheng no salto, manteve a regularidade nas barras assimétricas e passou pela trave sem grandes erros. A definição ficou para o solo. Ao executar a primeira diagonal ao som de “Baile de Favela”, deu um passo para fora da área de competição, recebendo uma pequena penalização que acabou sendo decisiva. Ainda assim, fechou uma apresentação de alto nível e terminou com 57,298 pontos, apenas 0,135 atrás da campeã Sunisa Lee. A nota da brasileira na trave ainda foi revisada após recurso da comissão técnica, garantindo a ultrapassagem sobre Angelina Melnikova e confirmando a medalha de prata.
A conquista representou um marco histórico para o esporte brasileiro. Depois de gerações de atletas que colocaram o Brasil entre as potências da modalidade, como Daniele Hypólito, Daiane dos Santos, Jade Barbosa e Flávia Saraiva, a ginástica artística feminina finalmente subia ao pódio olímpico. Emocionada após a prova, Rebeca destacou a importância da trajetória até aquele momento. “Essa medalha não é só minha, é de todo mundo. Todos sabem da minha trajetória, o que eu passei. Se eu não tivesse cada pessoa dessa na minha vida, isso aqui não teria acontecido”, afirmou a ginasta ao GE.
Relembre a prata olímpica de Rebeca em Tóquio:
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Mas a história ainda reservaria um capítulo ainda maior. Três dias depois, Rebeca entrou na final do salto como uma das favoritas ao ouro. Executou um Cheng avaliado em 15,166 pontos e, na sequência, um Amanar que recebeu nota 15,000. A média de 15,083 a colocou na liderança, restando apenas aguardar as apresentações das adversárias. Nenhuma conseguiu superá-la.
Quando a última nota foi divulgada, a brasileira confirmou o primeiro ouro olímpico da história da ginástica artística feminina do país. Logo após a conquista, demonstrou surpresa até com a própria atuação. “Estou muito feliz. Trabalhei bastante todo esse tempo. Eu não sei nem o que dizer. Não foram meus melhores saltos. Tanto que eu saí falando assim: ‘Aí, não foi muito bom’. Só que isso é ginástica, né? Isso acontece. Tirei nota o suficiente para tirar o primeiro lugar”, declarou ao GE.
Cinco anos depois, Tóquio permanece como um divisor de águas para a ginástica brasileira. As duas medalhas conquistadas por Rebeca Andrade mudaram a percepção sobre a modalidade, ampliaram sua popularidade e abriram caminho para uma sequência de resultados históricos que consolidaram a ginasta como um dos maiores nomes do esporte mundial. A prata no individual geral e o ouro no salto deixaram de ser apenas conquistas individuais para se tornarem um dos capítulos mais importantes da história olímpica do Brasil.



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