Viktoria Listunova vem ai

Existem carreiras trágicas, mas poucas atletas sofreram o que Viktoria Listunova sofreu. Aos 16 anos foi campeã olímpica por equipes pela Rússia, que competia com bandeira neutra na época devido a um escândalo antidoping dos atletas do seu país – questão essa que sequer a envolvia -, e, na sequência, o que poderia ser o auge da sua carreira, veio um afastamento de cinco anos do esporte. E mesmo assim, ela seguiu lutando.

Entretanto, os fãs da ginasta russa já podem cantar de alegria porque Listunova vem aí e, pelo que foi visto no Campeonato Russo, vem para saciar a sede de medalhas que ela já não vive desde 2021. Mesmo entre turbilhões e turbilhões de problemas, a resiliência dela a manteve entre as principais atletas do mundo e ela chega em 2026 para bater de frente com outros grandes nomes do esporte.

Mas antes desse respiro, a história de tensão começou em 2022. Após toda problemática um ano antes nos Jogos de Tóquio, ela assistiu a Rússia ser banida definitivamente, sem nem status neutro, por conta da guerra declarada à Ucrânia. Quatro anos após o banimento do seu país, ela ainda viveu mais um drama e assistiu as colegas competindo internacionalmente enquanto ela não.

É que esse retorno poderia ter ocorrido no ano passado, quando a Rússia foi autorizada a competir com status neutro, mas Listunova ficou de fora da lista de atletas contempladas. Na ocasião, a justifica foi de que ela havia feito apologia a guerra contra a Ucrânia ao fazer publicações em suas redes sociais que incentivavam o governo russo, mas na realidade se tratava de post em homenagem ao Dia da Vitória, uma celebração a vitória da União Soviética sobre a Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial, homenageando os milhões de soldados e civis mortos.

Isso bastou para mais um ano de penalidades para a atleta, que tinha plena condição de competir o Mundial de Jacarta, ano passado. Não adiantou justificar. Ela permaneceu banida. E assistiu da sua casa as companheiras de time voltarem ao cenário internacional. E mesmo assim, ela não parou de treinar. Chegou a competir a Série A-1 da Itália, campeonatos nacionais russos, copas amistosas e até estaduais. Até que uma luz veio no final de 2024.

Já no final de 2025, uma luz para a ginasta que já chegava aos seus 20 anos. Acontece que foi a vez da European Gymnastics (UEG) permitir que atletas da Rússia e de Belarus pudessem disputar suas competições. Logo em seguida, a FIG também concedeu o aval. Ainda assim, as possibilidades de Listunova eram limitadas porque ainda carecia o reconhecimento do COI.

O retorno oficial mesmo só foi possível ontem, após o Comitê Olímpico Internacional (COI) suspender provisoriamente as restrições ao Comitê Olímpico Russo, permitindo que atletas do país voltem a disputar eventos classificatórios e competições internacionais, desde que cumpram os critérios de elegibilidade das federações e as exigências antidoping. E agora Listunova vem aí. E chega chegando com uma assimétrica de quase 15 pontos, elevando bastante o sarrafo do aparelho.

Longe dos problemas, a campeã olímpica por equipes em Tóquio 2020 já até foi confirmada no Campeonato Europeu, entre 13 e 16 de agosto, em Zagreb. Será sua primeira competição internacional desde os Jogos Olímpicos de Tóquio, encerrando um período de quase cinco anos afastada dos grandes eventos em razão das sanções impostas à Rússia. E esse retorno vem também com a possibilidade do uso da bandeira, do hino e do uniforme da Rússia em eventos sob a chancela do COI.

Boa sorte, Listunova!

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