{"id":22648,"date":"2017-06-13T23:18:00","date_gmt":"2017-06-14T02:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/preview.sprinty.com.br\/a34dca66\/negligencias-na-relacao-entre-treinador-e-ginasta\/"},"modified":"2017-06-13T23:18:00","modified_gmt":"2017-06-14T02:18:00","slug":"negligencias-na-relacao-entre-treinador-e-ginasta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gymbrazil.esp.br\/index.php\/2017\/06\/13\/negligencias-na-relacao-entre-treinador-e-ginasta\/","title":{"rendered":"Neglig\u00eancias na rela\u00e7\u00e3o entre treinador e ginasta"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: left;\">\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhfhqKHiuVeJ47PAwRbUCQpZG1NmZm-FjkI4U-u_LB2lM3x-7MzhE5g80sleWpl27I_hWgPuKxX9zjselqFsV5A75ow51akbE8Eud9ME6gnxyg-gZJmJccj3OZnG1QY8xQYVE6G-O5I0WM\/s1600\/Keri+Strug.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1600\" data-original-width=\"1196\" height=\"400\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEhfhqKHiuVeJ47PAwRbUCQpZG1NmZm-FjkI4U-u_LB2lM3x-7MzhE5g80sleWpl27I_hWgPuKxX9zjselqFsV5A75ow51akbE8Eud9ME6gnxyg-gZJmJccj3OZnG1QY8xQYVE6G-O5I0WM\/s400\/Keri+Strug.jpg\" width=\"298\" \/><\/a><\/div>\n<p>\nA maioria dos treinadores conhecem bem seus ginastas. A rela\u00e7\u00e3o se torna quase como que de pais e filhos, inclusive o trato passa at\u00e9 por quest\u00f5es pessoais. No dia-a-dia, o treinador, que geralmente convive com o ginasta desde a inf\u00e2ncia, sabe quando o ginasta est\u00e1 sendo relapso com o treino na tentativa de convenc\u00ea-lo a fazer o que ele quer. Mas e quando o atleta fala a verdade? Vale a pena correr o risco de ser negligente?<\/p>\n<p>Aconteceu um caso recente e chocante na R\u00fassia: a ginasta Ekaterina Sokova, de 16 anos, um talento brilhante que tinha idade para competir nos Jogos do Rio, acabou de ser operada para substituir uma das cartilagens da articula\u00e7\u00e3o do quadril. A cartilagem entre a cabe\u00e7a do f\u00eamur (osso da coxa) e o quadril simplesmente desapareceu. O impacto dos exerc\u00edcios que Sokova executava era sentido diretamente entre os ossos, uma coxartrose. Sokova passou por uma cirurgia que minha av\u00f3 fez quando tinha 68 anos.<\/p>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nA ginasta cansou de se queixar de fortes dores e ser usada como exemplo de m\u00e1s atitudes dentro do gin\u00e1sio. Enquanto estava longe de casa e do cuidado dos pais, mancava como &#8220;uma velha senhora&#8221; durante os treinos e mesmo assim n\u00e3o foi levada para exames. Taxada de mentirosa, no fim de dezembro, quando estava em casa, sua m\u00e3e n\u00e3o a deixou participar dos famosos treinamentos russos no Round Lake e a levou ao m\u00e9dico que colocou um fim na sua carreira, dando o diagn\u00f3stico e a not\u00edcia que Sokova tinha acabado para o esporte.<\/p>\n<p>&#8220;Machucou muito quando as pessoas se referiram a mim como um exemplo de ginasta com m\u00e1s atitudes, quando eles pensaram que eu estava fingindo dor, quando me perguntaram: &#8220;Voc\u00ea tem certeza que d\u00f3i para andar? Voc\u00ea est\u00e1 treinando barras, saltando na cama el\u00e1stica, for\u00e7ando suas aberturas no treino de flexibilidade&#8230; Ent\u00e3o por que d\u00f3i quando voc\u00ea anda?&#8221; Muitas pessoas acharam que eu estava fingindo&#8221;, <a href=\"https:\/\/deadspin.com\/16-year-old-russian-gymnast-claims-coaching-neglect-res-1794642222\">desabafou a ginasta<\/a>.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria famosa \u00e9 a de Kerri Strug, ginasta americana que fez parte da equipe ol\u00edmpica campe\u00e3 dos Jogos de Atlanta em 1996. Tida como hero\u00edna por ser a \u00faltima ginasta a saltar e ter conseguido cravar seu segundo salto (na \u00e9poca as ginastas realizavam dois saltos na final por equipes), a hist\u00f3ria n\u00e3o foi t\u00e3o bonita quanto parece. Segundo entrevistas dadas ap\u00f3s o ocorrido, Strug correu para seu segundo salto sabendo que algo muito grave tinha acontecido com sua perna durante a queda no primeiro salto. A motiva\u00e7\u00e3o, que todos romantizam como sendo o ouro ol\u00edmpico, na verdade foi uma prova\u00e7\u00e3o pessoal de todas as vezes que foi taxada de pregui\u00e7osa, &#8220;reclamona&#8221; e mentirosa. Strug disse que sempre que reclamava de dor durante os treinos os treinadores diziam que ela estava exagerando. Reclamar da dor e o medo que sentiu ali, numa final ol\u00edmpica, ia confirmar o que ela era para eles: uma ginasta de m\u00e1 conduta.<\/p>\n<p>Existem casos de atletas no Brasil que foram treinar doentes, por decis\u00e3o pr\u00f3pria ou n\u00e3o, e se lesionaram durante os treinos. Atletas proibidos pelos m\u00e9dicos e fisioterapeutas de treinarem continuam treinando \u00e0 base de analg\u00e9sicos. Gripes que viram les\u00f5es nos joelhos; n\u00e1useas e enjoos que viram rupturas nos ligamentos; viroses que viram cirurgias. Qual o pre\u00e7o treinadores\/atletas est\u00e3o dispostos a pagar por n\u00e3o escutarem\/procurarem quem realmente possa resolver esses problemas? A neglig\u00eancia pode ter um pre\u00e7o muito alto!<\/p>\n<p>Talvez esse texto traga um momento de reflex\u00e3o: que os treinadores duvidem mais de suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es a respeito de seus atletas e que os atletas, quando adultos, saibam cuidar mais de si, e quando juvenis procurem e escutem seus pais que, apesar de estarem fora do gin\u00e1sio, na maioria das vezes n\u00e3o fogem da responsabilidade com os filhos.<\/p>\n<p>Muitos treinadores, &#8220;carinhosamente&#8221;, usam de persuas\u00e3o com seus atletas, principalmente os juvenis, quando acontece uma les\u00e3o: &#8220;Mas voc\u00ea n\u00e3o vai nem tentar ajudar a sua equipe? Vai me deixar na m\u00e3o agora, faltando uma semana? Depois de tudo que eu fiz por voc\u00ea?&#8221;. Deve-se pensar que o atleta, quando o motivo \u00e9 verdadeiro, tamb\u00e9m est\u00e1 chateado por perder a oportunidade de concluir um per\u00edodo de treinamento. Cabe ao atleta decidir se continua ou n\u00e3o e ao treinador ser mais coerente na argumenta\u00e7\u00e3o. Na d\u00favida n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: ir ao m\u00e9dico e fazer exames coloca ponto final \u00e0 quest\u00e3o e direciona para a melhor decis\u00e3o sobre o problema. Sem contar que o treinador com bom senso deve interferir mesmo quando o ginasta decida por sim.<\/p>\n<p>A responsabilidade deve ser dividida nessa rela\u00e7\u00e3o. Cada atleta \u00e9 dono de si, conhece suas dores, seus limites e sabe quando algo est\u00e1 errado de verdade, podendo ser firme e decidir por n\u00e3o treinar e pedir atendimento m\u00e9dico. E cada treinador conhece tamb\u00e9m a sua responsabilidade com a sa\u00fade do atleta. N\u00e3o deveria mais existir a cultura de ginastas descart\u00e1veis: o atleta pode e deve ser penalizado por n\u00e3o cumprir com suas responsabilidades com o clube, equipe e treinador, desde que o motivo por n\u00e3o conseguir cumprir com essas responsabilidades sejam verdadeiros, principalmente se relacionados \u00e0 sua sa\u00fade. Saber identificar melhor a verdade e a mentira \u00e9 o desafio aqui.<\/p>\n<p>A atual forma de avalia\u00e7\u00e3o para fazer parte da sele\u00e7\u00e3o brasileira coloca hoje um pouco de limites nessa situa\u00e7\u00e3o. Atletas que mentem e n\u00e3o treinam por motivos f\u00fateis acabam por n\u00e3o conseguirem atingir os objetivos necess\u00e1rios para entrar na sele\u00e7\u00e3o. Treinadores que for\u00e7am seus atletas al\u00e9m do limite perdem a oportunidade de terem seus clubes e trabalhos representados internacionalmente. N\u00e3o existe mais vaga garantida, nem pra atleta e nem pra treinador. Agora, ambos tem que trabalhar em conjunto. Aquela hist\u00f3ria de &#8220;fulano n\u00e3o treina porque j\u00e1 tem a vaga garantida&#8221; ou &#8220;fulano n\u00e3o treina porque nunca vai ter chance&#8221; acabou. A vaga \u00e9 de quem se esfor\u00e7ar e mostrar mais resultados, inclusive o treinador. Dessa forma, ningu\u00e9m vai querer botar tudo a perder, for\u00e7ando demais ou de menos.<\/p>\n<p>No fim das contas, a rela\u00e7\u00e3o entre treinador e atleta precisa sempre ser verdadeira. Criar uma cultura dentro do gin\u00e1sio de cuidado, empenho e trabalho em equipe fortalecem a confian\u00e7a nessa rela\u00e7\u00e3o. Assim o pa\u00eds diminui consideravelmente as chances de perder grandes talentos: seja por falta de disciplina dos atletas que mentem sobre a real gravidade de sua sa\u00fade, ou por les\u00f5es graves ocasionadas por treinadores que duvidam de seus atletas e os levam al\u00e9m do esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>A partir de agora, as s\u00e9ries da talentos\u00edssima Ekaterina Sokova s\u00f3 poder\u00e3o ser vistas nos poucos v\u00eddeos dispon\u00edveis. Uma pena.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"316\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RHwnjkKqcdc\" width=\"540\"><\/iframe><\/p>\n<p>Post de Cedrick Willian<br \/>\nFoto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos treinadores conhecem bem seus ginastas. A rela\u00e7\u00e3o se torna quase como que de pais e filhos, inclusive o trato passa at\u00e9 por quest\u00f5es pessoais. 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