{"id":22596,"date":"2019-10-17T19:15:00","date_gmt":"2019-10-17T22:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/preview.sprinty.com.br\/a34dca66\/analise-historica-da-ginastica-artistica-brasileira-a-partir-da-selecao-permanente\/"},"modified":"2019-10-17T19:15:00","modified_gmt":"2019-10-17T22:15:00","slug":"analise-historica-da-ginastica-artistica-brasileira-a-partir-da-selecao-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gymbrazil.esp.br\/index.php\/2019\/10\/17\/analise-historica-da-ginastica-artistica-brasileira-a-partir-da-selecao-permanente\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise hist\u00f3rica da gin\u00e1stica art\u00edstica brasileira a partir da sele\u00e7\u00e3o permanente"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\" style=\"text-align: left;\">\n<\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEisASSLJgHPDM05rPFzMGrKCQ-eWNJANDQEK_t56Mknky08upOabkp0QnnaJHpc9GlaxCz1fCyjSwEC9XXIAIwkSM6CgpaGUdwqpISj8oOjH5KoQbdx9BHKp9aRYDKcR-KrwTayAmdzT_g\/s1600\/Daiane+2003.jpg\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"394\" data-original-width=\"700\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEisASSLJgHPDM05rPFzMGrKCQ-eWNJANDQEK_t56Mknky08upOabkp0QnnaJHpc9GlaxCz1fCyjSwEC9XXIAIwkSM6CgpaGUdwqpISj8oOjH5KoQbdx9BHKp9aRYDKcR-KrwTayAmdzT_g\/s1600\/Daiane+2003.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nSentindo, ouvindo, lendo e vendo tantas coisas, ficou dif\u00edcil<br \/>\ncolocar as ideias no lugar. N\u00e3o tenho mais tido tempo para escrever como antes,<br \/>\nmas n\u00e3o consigo parar de pensar sobre a nossa gin\u00e1stica, o que ela \u00e9 e o que poderia<br \/>\nser. S\u00e3o muitos anos acompanhando nosso esporte, torcendo, incentivando, criticando,<br \/>\nmas, acima de tudo, amando e querendo o melhor, que faltam palavras, textos e<br \/>\ndiscuss\u00f5es para falar de um assunto t\u00e3o complexo como o que vive atualmente a<br \/>\nnossa gin\u00e1stica. \u00c9 preciso uma an\u00e1lise hist\u00f3rica de todos os nossos momentos<br \/>\nat\u00e9 aqui, tanto da gin\u00e1stica masculina como a feminina, dita e exemplificada. A<br \/>\nmelhor forma de fazer isso \u00e9 escrevendo e lembrando que n\u00e3o sou o dono da<br \/>\nverdade, mas a modera\u00e7\u00e3o da minha verdade \u00e9 um servi\u00e7o prestado \u00e0 mentira, e<br \/>\nisso n\u00e3o quero fazer.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nNo come\u00e7o da sele\u00e7\u00e3o permanente, se n\u00e3o me engano em 2002, o<br \/>\nmesmo esquema de treinos foi oferecido para as duas sele\u00e7\u00f5es: a masculina e a<br \/>\nfeminina. Enquanto a feminina colhia os louros da vit\u00f3ria, com Daiane dos<br \/>\nSantos campe\u00e3 mundial em 2003, super cotada para ser campe\u00e3 ol\u00edmpica em 2004<br \/>\n(falhou) e ainda com a classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica da equipe em 2004, a gin\u00e1stica<br \/>\nmasculina, que abdicou da sele\u00e7\u00e3o permanente, era vista como o patinho feio da<br \/>\ngin\u00e1stica do Brasil. At\u00e9 a gin\u00e1stica r\u00edtmica ainda se classificava para os<br \/>\nJogos Ol\u00edmpicos e estava em finais ol\u00edmpicas, enquanto a masculina n\u00e3o tinha<br \/>\nnada. A justificativa de n\u00e3o estarem dentro do \u201cesquema\u201d era uma desculpa sempre<br \/>\nouvida como o fator respons\u00e1vel pela falta de sucesso do masculino.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nN\u00e3o bastou Diego Hyp\u00f3lito ter conquistado 3 medalhas<br \/>\nmundiais entre os anos de 2005 e 2007: o masculino agora era \u201cbom s\u00f3 de solo\u201d enquanto<br \/>\na feminina tinha uma all arounder medalhista mundial \u2013 Jade Barbosa \u2013 e a<br \/>\nequipe se classificava para os Jogos Ol\u00edmpicos mais uma vez. A gin\u00e1stica masculina<br \/>\ncontinuava trabalhando e tentando achar o pr\u00f3prio caminho. Daiane, sofrendo com<br \/>\ncirurgias e les\u00f5es no joelho, falha na sua segunda tentativa de medalha<br \/>\nol\u00edmpica e Diego falha tamb\u00e9m.<\/div>\n<div>\n<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nNesse momento os recursos acabam. Claro: quando resultado<br \/>\nol\u00edmpico n\u00e3o aparece, o dinheiro \u00e9 remanejado. O nome disso \u00e9 pol\u00edtica e dentro<br \/>\ndo esporte ela existe tamb\u00e9m. Dentro do Comit\u00ea Ol\u00edmpico, cada esporte quer mais recursos que o outro; cada gest\u00e3o esportiva quer cortar o pesco\u00e7o da outra e, para isso, n\u00e3o existe argumento melhor<br \/>\ndo que uma medalha ol\u00edmpica ou a falta dela. Todo fim de ciclo ol\u00edmpico \u00e9 a<br \/>\nmesma coisa! Ou toda vez que acontece algo pol\u00eamico como, por exemplo, o caso<br \/>\ndo treinador Fernando Lopes.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nNo ciclo 2009-2012, disseram que foi feita uma tentativa<br \/>\nde sair da sele\u00e7\u00e3o permanente e que isso n\u00e3o funcionou. Na verdade, por conta<br \/>\ndo fracasso da sele\u00e7\u00e3o permanente, faltou grana mesmo pra sustentar e continuar o esquema permanente. O CEGIN n\u00e3o concordava e nem participava dos camps que<br \/>\naconteceram nessa \u00e9poca. Tudo ainda continuava na m\u00e3o da antiga gest\u00e3o e com peso<br \/>\nnas costas das ginastas mais antigas, aquelas que sobreviveram aos treinos fechados e agora lutavam em seus clubes para continuar em forma, tanto f\u00edsica quanto<br \/>\nt\u00e9cnica. Ficar no peso ideal sem a press\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 dif\u00edcil, n\u00e3o<br \/>\n\u00e9 mesmo? Afinal, agora as ginastas podiam comer mais do que tr\u00eas uvas no jantar.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nSem renova\u00e7\u00e3o e motivados por alguma mudan\u00e7a, os treinadores dessa \u00e9poca suaram a camisa e merecem aplausos<br \/>\npor terem continuado p\u00f3s-sele\u00e7\u00e3o permanente. Consigo citar Ricardo Pereira e Adriana Alves, que ressuscitou<br \/>\na Adrian Gomes, uma ginasta que foi essencial nessa \u00e9poca. A sofrida<br \/>\nclassifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica aconteceu, mas foi s\u00f3 no Evento Teste, mesmo que para<br \/>\numa participa\u00e7\u00e3o extremamente discreta nas classificat\u00f3rias de Londres 2012. Enquanto isso, a gin\u00e1stica masculina, que sempre teve sua viv\u00eancia dentro dos<br \/>\nclubes, agora tinha uma medalha de ouro ol\u00edmpica: Arthur Zanetti, campe\u00e3o<br \/>\nol\u00edmpico de argolas mesmo sem uma equipe completa nos Jogos. Zanetti \u2013 assim como<br \/>\nDiego \u2013 conseguiu sua classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica com uma medalha no Mundial de 2011.<br \/>\nO masculino subia um degrau a cada ano, confiando sempre que estavam no caminho<br \/>\ncerto. E agora, al\u00e9m do solo, tinham resultados em outro aparelho e o respeito de uma na\u00e7\u00e3o<br \/>\ninteira.<\/div>\n<div>\n<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nNesse tempo, Francisco Porath, Alexandre Cuia, Keli Kitaura<br \/>\ne Roger Medina, caminhavam na busca de novos talentos, construindo ginastas que<br \/>\nhoje s\u00e3o o pilar da nossa sele\u00e7\u00e3o. Mas s\u00f3 foram capazes de fazer isso porque<br \/>\nn\u00e3o faziam parte do esquema antigo da sele\u00e7\u00e3o permanente. Se estivessem dentro do<br \/>\nesquema que se encerrou em 2008 nunca haveria a chance de descobrir as ginastas<br \/>\nque temos hoje. Eles estavam nos clubes com elas e gra\u00e7as a eles n\u00e3o tivemos um<br \/>\nburaco no ciclo 2012-2016.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nCom os Jogos Ol\u00edmpicos acontecendo em casa, os investimentos<br \/>\nvoltaram e isso foi um prato cheio para a volta do que todos temiam. \u00c9 justamente<br \/>\nquando a sele\u00e7\u00e3o permanente volta, com a participa\u00e7\u00e3o desses novos treinadores.<br \/>\nAgora s\u00e3o eles que est\u00e3o trancados no CT junto com todas as suas atletas. O<br \/>\ntrabalho nos clubes \u00e9 consideravelmente diminu\u00eddo sem a presen\u00e7a deles e come\u00e7a<br \/>\ntudo de novo. Poucas ginastas, poucos treinadores, pouco conhecimento difundido,<br \/>\npouca liberdade e muito controle sobre a vida de todos que fazem parte do<br \/>\nesquema. Ningu\u00e9m entrava nem sa\u00eda. Era ali, fechado, sem a esperan\u00e7a de que um<br \/>\ntreinador ou qualquer outra ginasta de fora pudessem estar ali tamb\u00e9m, adquirindo experi\u00eancia,<br \/>\ntreinamento e chances de representar o Brasil. Quem decidia quem entrava e sa\u00eda<br \/>\neram as dirigentes da antiga gest\u00e3o. O acesso da imprensa n\u00e3o existia. O Gym<br \/>\nBlog Brazil nunca pisou dentro do CT durante a sele\u00e7\u00e3o permanente. <o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nS\u00f3 que, como todos sabem, o fracasso tamb\u00e9m aconteceu. A<br \/>\nclassifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica veio s\u00f3 no Evento Teste e, novamente, muitas les\u00f5es e nenhuma<br \/>\nmedalha ol\u00edmpica. Sabe o que realmente aconteceu desde 2002? Ginastas eram agredidas moral<br \/>\ne fisicamente por treinadores sovi\u00e9ticos; ginastas urinavam sangue porque n\u00e3o<br \/>\npodiam beber \u00e1gua; copos de \u00e1gua eram comparados com uma barrinha de chocolate,<br \/>\nporque 200ml de \u00e1gua pesam mais do que 30g de chocolate; jantar = 3 uvas;<br \/>\nginastas com bulimia; acesso restrito \u00e0 fam\u00edlia; atletas treinando na segunda at\u00e9<br \/>\no peso voltar ao de s\u00e1bado e enquanto n\u00e3o voltar n\u00e3o podia ir embora; ginasta<br \/>\ndo norte do pa\u00eds sendo ridicularizada na frente de todos; bullying; treinadores com depress\u00e3o e mais algumas coisas que n\u00e3o conv\u00e9m<br \/>\ncomentar. Quem concorda com isso \u00e9 desumano, n\u00e3o ama o pr\u00f3ximo e n\u00e3o sabe se<br \/>\ncolocar no lugar do outro que viveu isso todos os dias de domingo a domingo.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nE dessa vez o masculino chegou no \u00e1pice do caminho come\u00e7ado l\u00e1<br \/>\nem 2002. Conseguiram a classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica e finalizaram os Jogos do Rio 2016<br \/>\ncom 3 medalhas. Optaram por sair fora do esquema, trabalharam, tentaram<br \/>\nencontrar o caminho e conseguiram. S\u00e9rgio Sasaki, nosso melhor all arounder de<br \/>\ntodos os tempos, parou com a gin\u00e1stica e, sinceramente, n\u00e3o fez diferen\u00e7a. A<br \/>\ngin\u00e1stica masculina continuou classificando a equipe, conquistando finais mundiais,<br \/>\nmedalhas e revelando novos talentos normalmente. Esse ano, a gin\u00e1stica que era boa<br \/>\ns\u00f3 de solo e ficou boa de argolas, agora tamb\u00e9m \u00e9 boa de barra fixa! \u00c9 de se<br \/>\nadmirar.<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nO ciclo ol\u00edmpico atual, com uma gest\u00e3o nova e revitalizada,<br \/>\nfoi o primeiro ciclo em que algo diferente foi feito. Fico triste com o que<br \/>\naconteceu, especialmente pelas meninas que nunca foram aos Jogos Ol\u00edmpicos, mas<br \/>\nera claro que a classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica poderia n\u00e3o acontecer. Mais um trabalho foi o come\u00e7ado sem renova\u00e7\u00e3o, mas com a coragem de peitar o desconhecido. Nesse momento o feminino est\u00e1 exatamente<br \/>\ncomo o masculino estava em 2002: recebendo duras cr\u00edticas e sendo os patinhos feios<br \/>\nda gin\u00e1stica nacional. As cr\u00edticas est\u00e3o vindo especialmente das mesmas pessoas<br \/>\ne s\u00e3o as que querem voltar ao comando.&nbsp;<\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nSe essa volta acontecer, podemos desistir da integraliza\u00e7\u00e3o da nossa gin\u00e1stica. Esse processo \u00e9 doloroso e demorou mais de 10<br \/>\nanos de matura\u00e7\u00e3o para a gin\u00e1stica masculina. Entretanto, est\u00e1 provado em quantidade de medalhas e t\u00edtulos mundiais e ol\u00edmpicos que \u00e9 um caminho que realmente<br \/>\nd\u00e1 resultados. Estamos apenas nos primeiros passos da constru\u00e7\u00e3o do novo caminho<br \/>\nda gin\u00e1stica feminina. \u00c9 preciso aguentar as cr\u00edticas e ter paci\u00eancia, al\u00e9m de esclarecer<br \/>\nque a nova gest\u00e3o sofre o legado deixado pela antiga gest\u00e3o. \u00c9 bom lembrar que as duas \u00faltimas classifica\u00e7\u00f5es ol\u00edmpicas foram bem sofridas e n\u00e3o trouxeram resultados.<br \/>\n<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br style=\"mso-special-character: line-break;\" \/><br \/>\n<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\nContinua no pr\u00f3ximo post.<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nCedrick Willian<o:p><\/o:p><\/div>\n<div>\n<\/div>\n<div>\nFoto: Thomas Schreyer<\/div>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentindo, ouvindo, lendo e vendo tantas coisas, ficou dif\u00edcil colocar as ideias no lugar. 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